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Nem tudo que a gente segura é amor.
Às vezes é apego, medo de ficar só, costume disfarçado de esperança. A gente insiste porque acredita que, insistindo mais um pouco, a dor vai cansar e ir embora. Mas não vai. Dor não se educa com paciência.
O corpo avisa. A mente pesa. O coração se encolhe.
E mesmo assim a gente fica, porque ir embora parece mais assustador do que continuar machucando.
Mas ficar onde não há paz não é lealdade — é abandono de si.
É escolher o incômodo diário só para não enfrentar o silêncio da mudança.
Tem coisas que não precisam ser consertadas, precisam ser deixadas. Tem portas que não se fecham com raiva, mas com respeito por quem você está se tornando.
Insistir não é prova de força.
Às vezes, parar é o maior ato de coragem que existe.
Se não te faz bem, não discuta com o óbvio.
Se não te faz crescer, não negocie com a dor.
Se não te traz leveza, não chame de destino.
A vida também é sobre saber a hora de soltar. E ir embora, muitas vezes, é exatamente o começo de se encontrar.