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Há dias em que a tristeza não chega fazendo barulho.
Ela não bate à porta, não anuncia visita. Apenas entra — silenciosa — e se senta em algum canto da alma.
E quando a gente percebe, ela já está ali.
A tristeza tem dessas coisas estranhas: às vezes nasce de algo grande, uma perda, uma decepção, um adeus que ficou ecoando no peito. Mas outras vezes ela simplesmente aparece sem motivo claro, como uma nuvem que encobre o céu em pleno dia azul.
É nesses momentos que o coração parece ficar mais pesado que o corpo.
A gente tenta seguir o ritmo da vida, conversar, sorrir, cumprir tarefas. Por fora tudo parece normal. Por dentro, porém, existe um silêncio diferente, um cansaço que não se explica, uma vontade estranha de se recolher do mundo.
Talvez a tristeza seja isso: um lugar de pausa.
Um lugar onde a alma pede silêncio para reorganizar sentimentos, curar pequenas feridas e compreender coisas que ainda não fazem sentido.
Nem sempre a tristeza é inimiga. Às vezes ela é apenas uma visitante necessária. Ela chega, nos obriga a olhar para dentro e nos lembra que sentir também faz parte de estar vivo.
O problema não é sentir tristeza.
O problema seria não sentir nada.
Porque quem ainda se entristece… ainda guarda dentro de si a capacidade de amar, de lembrar, de esperar e de recomeçar.
E talvez seja por isso que, depois de algum tempo — quando a nuvem passa — a gente percebe algo curioso: a tristeza não veio para nos quebrar.
Ela veio apenas para nos lembrar que o coração também precisa de dias nublados para reconhecer melhor a luz quando ela volta a aparecer.
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