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sábado, 22 de novembro de 2025

💙Eu aceito as coisas boas

Eu aceito as coisas boas que estão acontecendo.

Demorei a entender que elas não eram acidente, nem presente deixado por alguma sorte distraída. Elas tinham meu nome escrito nelas há muito tempo — só faltava eu ter a coragem de ir buscá-las.

 

Por muitos anos, fui especialista em achar que não merecia nada além do quase. Quase feliz. Quase tranquilo. Quase satisfeito. Vivia como quem atravessa a vida na ponta dos pés, com medo de perturbar o destino ou de desejar alto demais. Até que descobri um segredo simples: nada floresce onde a gente não se permite plantar.

 

As coisas boas não caíram no meu colo. Eu que fui atrás. Na primeira tentativa que deu errado. No pedido de desculpas que me custou o orgulho. No “não” que precisei dizer para proteger minha paz. Na decisão silenciosa de me priorizar, mesmo quando ninguém estava olhando. A vida me devolveu tudo isso — às vezes com atraso, às vezes com força — mas sempre devolveu.

 

Hoje, quando algo bom acontece, não penso mais que é coincidência. Penso que é consequência. É semente antiga brotando, é o tempo sendo justo, é o universo respondendo ao meu gesto, ainda que com aquele humor imprevisível que só ele tem.

 

Aceitar as coisas boas também é um ato de coragem. A gente se acostuma tanto com o peso que estranha quando aparece leveza. Mas aprendi a não fugir dela. A não desconfiar de cada sorriso. A não achar que felicidade cobra pedágio.

 

Sei exatamente de onde tudo isso veio: do caminho que trilhei quando ninguém aplaudia.

E, se hoje recebo o que sonhei, recebo de mãos abertas.

Porque, desta vez, eu sei — eu mereço.


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