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Sua vida passa a ser menos sua toda vez que vocĂȘ deixa de fazer algo por medo do que os outros vĂŁo pensar.
Ă um roubo silencioso.
NinguĂ©m percebe, ninguĂ©m anuncia, mas algo seu vai sendo levado aos poucos. Primeiro Ă© um sonho adiado, depois uma palavra engolida, mais tarde um gesto que nunca aconteceu. Quando vocĂȘ vĂȘ, jĂĄ nĂŁo reconhece direito o espelho — porque ele reflete alguĂ©m moldado por expectativas que nĂŁo nasceram dentro de vocĂȘ.
O medo do julgamento Ă© um cĂĄrcere sem grades. Ele nĂŁo tranca portas, mas encurta caminhos. Faz vocĂȘ escolher o seguro em vez do verdadeiro, o aceito em vez do necessĂĄrio. Ensina a viver com cuidado excessivo, como quem atravessa a prĂłpria existĂȘncia pedindo desculpas por existir.
Aos poucos, vocĂȘ passa a consultar o mundo antes de consultar o coração. “SerĂĄ que vĂŁo rir?”, “SerĂĄ que vĂŁo entender?”, “SerĂĄ que vĂŁo aprovar?”. E enquanto as respostas nĂŁo vĂȘm — porque nunca vĂȘm — a vida vai passando. E passa sem vocĂȘ estar inteiro nela.
Mas hĂĄ um detalhe que quase ninguĂ©m conta: as mesmas pessoas que vocĂȘ teme decepcionar raramente estĂŁo preocupadas em viver por vocĂȘ. Elas seguem suas rotinas, seus erros, seus acertos, enquanto vocĂȘ se paralisa tentando caber num lugar que nem sempre Ă© seu.
Viver Ă©, inevitavelmente, desagradar alguĂ©m. E talvez a maior perda seja agradar a todos, menos a si mesmo. Porque no fim do dia, quando o silĂȘncio chega, nĂŁo sĂŁo os outros que dormem com suas escolhas. Ă vocĂȘ.
Recuperar a prĂłpria vida começa em pequenos atos de coragem: dizer um nĂŁo que estava preso, dar um passo que parecia ousado demais, aceitar que nem todos vĂŁo entender — e tudo bem. A liberdade nĂŁo nasce da aprovação, nasce da honestidade consigo.
Que vocĂȘ tenha coragem de devolver Ă sua vida o que Ă© dela por direito.
Porque viver com medo do olhar alheio Ă© sobreviver.
E vocĂȘ merece mais do que isso.
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