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Às vezes, a despedida não chega com lágrimas, malas ou palavras finais.
Ela acontece no cotidiano, num abraço apressado, numa conversa deixada pra depois, num “a gente se fala” que nunca mais se cumpre.
Vivemos como se o tempo fosse infinito, como se as pessoas estivessem sempre disponíveis, como se o amor soubesse esperar. Mas a verdade é que não sabemos quando será a última vez. A última risada, o último café juntos, o último olhar que ainda carregava cuidado.
Muitas despedidas não doem na hora. Doem depois. Quando a ausência se instala e a memória começa a repetir cenas que pareciam comuns demais para serem eternas. É aí que entendemos: a despedida já tinha acontecido, só faltava o silêncio confirmar.
Talvez por isso amar seja um ato de urgência. Dizer o que sente, ficar um pouco mais, abraçar sem economia. Não por medo da perda, mas por respeito ao agora. Porque o agora é tudo o que temos.
Que a gente aprenda a não tratar presença como rotina, nem afeto como garantia. Que a gente viva os encontros como se fossem únicos — porque, no fundo, sempre são.
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