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Há momentos que passam tão leves que quase não fazem barulho. Eles chegam sem aviso, se instalam no cotidiano e partem sem cerimônia. Enquanto acontecem, parecem comuns demais para serem notados. Só depois, quando já não estão mais ali, é que revelam seu verdadeiro peso.
O valor de um momento não se mede pelo que ele promete, mas pelo que ele deixa. É na ausência que aprendemos a nomear o que era presença. É quando o tempo avança que entendemos que aquele café tomado às pressas, aquele abraço sem despedida, aquele silêncio compartilhado, eram, na verdade, capítulos inteiros da nossa história.
A memória tem esse poder curioso: ela ilumina o que antes parecia simples. Transforma instantes em refúgio, detalhes em saudade, gestos pequenos em eternidade. O que era rotina vira lembrança, e o que era distração se torna falta.
Talvez por isso a vida nos ensine com atraso. Não para nos punir, mas para nos amadurecer. Para que, ao lembrar, aprendamos a estar mais inteiros no agora. A cuidar dos instantes enquanto ainda respiram. A viver sabendo que, um dia, tudo o que temos hoje será exatamente isso: memória.
E quando esse dia chegar, que possamos olhar para trás e reconhecer que, mesmo sem saber, estivemos presentes. Porque o valor de um momento está em permitir que ele se torne inesquecível dentro de nós.
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