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Na vida, aprendemos cedo que a coragem e a covardia não se manifestam apenas nos grandes gestos, mas nos pequenos movimentos cotidianos. O valente se apresenta de frente: diz o que pensa, encara o que teme, assume as consequências do que decide. Com ele, não há surpresas escondidas, apenas o peso natural de enfrentar a vida de peito aberto. Pode até ferir, pode até confrontar, mas há honestidade no seu ato.
O covarde, porém, é diferente. Ele caminha em silêncio, esconde o olhar, disfarça intenções. Não enfrenta — espera o momento de não ser visto para agir. Sua arma não é a força nem a verdade, mas o disfarce. Ele se aproxima com sorrisos, mas guarda pedras nos bolsos. Age nas sombras, onde o silêncio lhe serve de escudo e a omissão de disfarce.
Por isso, é mais perigoso. O valente te desafia diante do sol, mas o covarde te apunhala na sombra. O primeiro te ensina, o segundo te engana. O confronto com o valente pode até doer, mas fortalece; a traição do covarde, essa sim, dilacera.
É preciso aprender a distinguir os dois: o que ergue a voz e o que finge calar, o que te olha nos olhos e o que desvia o olhar, o que te enfrenta de frente e o que se esconde atrás de máscaras.
E talvez o maior exercício da vida seja esse: não temer o confronto justo do valente, mas manter distância da traição silenciosa do covarde. Porque o primeiro nos mostra quem somos; o segundo tenta nos roubar a própria essência.
O valente fere de frente; o covarde destrói pelas costas.
Um te ensina a resistência, o outro te rouba a confiança.
Entre a dor do confronto e a dor da traição, é sempre a segunda que deixa cicatrizes mais profundas.
Por isso, não tema o valente — tema o silêncio do covarde.
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