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segunda-feira, 1 de setembro de 2025

🫥Quando o Vazio Sobra

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Há dias em que o silêncio pesa mais do que qualquer palavra. Não é porque não haja nada para dizer, mas porque tudo já foi dito, e ainda assim, parece não ter sido suficiente. Então, sobra um espaço – não aquele que pede preenchimento, mas aquele que transborda de ausências.

O vazio, muitas vezes, não é buraco; é excesso. Excesso de expectativas não cumpridas, de perguntas sem resposta, de sentimentos que nunca encontraram um lugar seguro para repousar. É curioso como a gente acredita que o vazio é só falta, quando, na verdade, ele também pode ser excesso – de memórias, de lembranças que não cabem mais no presente, de sonhos que perderam o prazo de validade.

Você já se sentiu assim? Como se carregasse uma mala cheia de coisas que não servem mais, mas que, por algum motivo, não consegue largar? É aí que o vazio se instala: não no que não temos, mas no que não conseguimos soltar.

Talvez a vida seja isso: um aprendizado constante de esvaziar. De abrir as mãos, desapegar do que não soma, parar de colecionar dores como quem junta selos raros. Porque, no fundo, o que sobra – esse excesso de tudo – é o que mais nos rouba leveza.

E, quem sabe, um dia, a gente entenda que o verdadeiro preenchimento não vem do acúmulo, mas da coragem de deixar ir. Porque o vazio, quando não é falta, é sobra. E sobra dói tanto quanto falta.

 

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