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Na última poltrona, junto à janela, eu assistia à vida. Não a minha — a que passava do lado de fora.
Cenas rápidas. Um homem atravessa apressado. Uma mulher ajeita o cabelo no reflexo da vitrine. Um carro corre como quem foge. Tudo vai embora, sem olhar para trás.
E eu penso: quantos destinos cabem em uma rua? Quantas histórias cabem em um instante? Talvez eu nunca veja nenhum daqueles rostos outra vez. Talvez eles nem saibam que existi.
O tempo não para para contemplar. Ele passa — frio, veloz, certeiro. A gente acredita que tem muito, mas tudo que temos é isso: um agora que já está indo embora.
Orgulho, inveja, arrogância… que lugar ocupam diante da certeza da finitude? A morte é democrática: chega sem avisar, para todos. Sem exceção.
A vida é um trem-bala sem retrovisor. Um piscar. E já não é mais.
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