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Espero que você ainda olhe para o céu e sinta alguma coisa.
Não importa se é alegria, nostalgia, saudade ou aquela pontinha de esperança que insiste em morar na gente. O importante é sentir. Porque há um risco real em viver sem reparar no que está acima da nossa cabeça — esse infinito que sempre esteve lá, mesmo quando não o percebemos.
O céu é uma lembrança constante de que somos pequenos diante de tudo, mas nem por isso insignificantes. Ele guarda as manhãs que amanhecem só para nos lembrar de recomeços, os fins de tarde pintados de laranja como se a vida quisesse assinar uma obra-prima, e as noites cheias de estrelas que parecem confidenciar segredos para quem ainda sabe ouvir.
Há quem viva correndo, sem tempo para levantar os olhos, como se o chão fosse mais urgente que o horizonte. Mas o chão prende, o céu liberta. E às vezes é preciso se libertar, nem que seja por um minuto, para lembrar que a vida não é só conta para pagar, tarefa para entregar, problema para resolver.
Então, se puder, olhe.
Olhe mesmo que esteja nublado, mesmo que chova, mesmo que o azul não esteja tão azul.
Olhe porque o ato de olhar para o céu é também um jeito de olhar para dentro.
E que, ao olhar, você ainda sinta — porque o dia em que o céu não despertar nada em você talvez seja o dia em que algo dentro tenha adormecido demais.
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