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sábado, 12 de julho de 2025

❤️‍🩹A geração que está partindo em silêncio

Somos de um tempo que não volta mais.

Crescemos com os pés sujos de terra, os joelhos marcados por aventuras,

e o coração acelerado — não pelas telas,

mas pela pressa de terminar o lanche e correr para a rua.

Lá fora, bastavam uma bola e alguns amigos para o mundo se abrir.

 

Voltávamos da escola a pé,

gritando, sonhando ou simplesmente existindo em silêncio.

A cabeça já longe, no próximo jogo,

no buraco cavado com as mãos,

ou no segredo sussurrado atrás do muro descascado.

 

Um galho virava espada,

uma poça era mar aberto.

Nossos tesouros?

Bolinhas de gude, figurinhas amassadas, barquinhos de papel.

E o céu… o céu era sempre logo ali.

 

Não havia nuvem digital — só lembrança crua,

guardada na memória e nos negativos fotográficos.

Fotos com cheiro, toque e saudade.

Guardadas em caixas, junto com cartas escritas à mão,

postais dos avós e desenhos rabiscados com amor infantil.

 

“Mãe” era quem curava a febre com colo,

“Pai” quem segurava firme o selim da bicicleta.

Outros nomes não eram necessários.

 

À noite, entre sussurros debaixo das cobertas,

ríamos por bobagens com medo de sermos ouvidos.

Ali, entre irmãos e cumplicidades, o mundo era nosso.

 

Estamos partindo devagar, como uma imagem que desbota,

mas que ninguém consegue jogar fora.

Levamos conosco uma bagagem que não se vê:

o som das risadas livres,

o cheiro de pão quente,

as corridas sem motivo

e a liberdade de quem nunca soube o que era uma notificação.

 

Fomos crianças num tempo em que isso ainda era possível.

E talvez, só talvez, essa tenha sido nossa maior sorte.

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