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Viver, como bem disse Sartre, é esse constante jogo de equilíbrio — às vezes dança, às vezes corda bamba — entre o que escolhemos e o que colhemos. Nenhuma decisão vem sozinha. Cada passo que damos arrasta consigo um rastro de possibilidades que deixamos para trás e um mar de consequências que, cedo ou tarde, nos alcançam.
E não importa se são grandes decisões ou pequenas. Às vezes é o “sim” que dizemos sem pensar, o “não” que deixamos entalado, o caminho que tomamos por impulso, a palavra que não foi dita, o abraço que não demos. O curioso é que mesmo a omissão é uma escolha — e ela também cobra seu preço.
Viver, então, é aceitar que não dá para controlar tudo. A gente escolhe, mas não prevê. A gente age, mas não calcula todos os impactos. E ainda assim, precisamos continuar. Porque o viver não espera nossa plena certeza; ele se dá no meio da dúvida, no tropeço, no erro e no acerto.
Alguns dias somos dominados pelo medo de errar, de falhar, de sofrer. Mas talvez o que nos faz humanos seja justamente isso: continuar tentando, mesmo sabendo que não há garantias. Não existe escolha perfeita, só aquela que, no momento, parece ser a mais honesta com o que somos e com o que queremos — ainda que, mais tarde, tenhamos que arcar com as dores do que não deu certo.
No fundo, viver é caminhar com o coração em uma mão e a responsabilidade na outra. É compreender que liberdade não é fazer o que se quer sem pensar, mas sim ter consciência do que se faz e coragem para lidar com o que vier depois.
Então, sim: viver é esse exercício diário de se equilibrar — entre o que queremos e o que precisamos, entre o sonho e o chão, entre o passado que nos molda e o futuro que nos desafia.
E talvez o segredo não seja acertar sempre, mas não parar de aprender.
Porque, no fim, somos isso: o somatório das escolhas que tivemos coragem de fazer e das consequências que tivemos maturidade de enfrentar.
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