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Vivemos na era dos ruídos. Todo mundo fala. Todo mundo opina. Todo mundo repassa algo. A urgência de estar presente no fluxo constante de informações virou quase uma obsessão. Mas o curioso é que, quanto mais se fala, menos se escuta. E quanto mais se compartilha, menos se compreende.
Em meio a memes, frases feitas e vídeos que se desfazem no tempo de um suspiro, há algo que ainda carrega um brilho raro: um pensamento bem estruturado. Uma ideia que não foi cuspida às pressas, mas que nasceu de silêncios demorados, de perguntas que não encontraram respostas fáceis e de uma certa inquietação que só os mais atentos sentem.
Pensar — realmente pensar — virou quase um ato de resistência. Porque exige pausa. E pausar hoje parece pecado. Enquanto tudo grita, refletir é sussurrar para dentro. E isso assusta. Porque quando a gente mergulha em nós mesmos, nem sempre gosta do que encontra. Mas é nesse mergulho que moram as grandes descobertas.
Você já reparou como algumas pessoas falam pouco, mas quando falam, todo mundo para pra ouvir? Não é sobre a eloquência. É sobre a densidade. É sobre carregar na fala o peso das experiências, a leveza da sabedoria e a coragem de não querer agradar a todo custo. Essas pessoas não jogam palavras ao vento. Elas plantam sementes.
Hoje, mais do que nunca, precisamos de ideias que desafiem a pressa, pensamentos que não tenham medo de serem impopulares, reflexões que causem aquele silêncio desconfortável, porém necessário. Porque só assim deixamos de ser repetidores do óbvio para nos tornarmos questionadores do mundo.
No fundo, compartilhar um pensamento profundo é quase um ato de amor. Amor ao outro, que talvez precise daquela palavra para despertar. E amor a si mesmo, por não se contentar com o raso.
Então, que sejamos menos espuma e mais oceano. Menos eco e mais essência. Porque, em tempos de tanta bobagem, pensar virou charme. E pensar bem… virou virtude rara.
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