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Há quem viva no amanhã. Planeja, organiza, idealiza. Sonha com o que ainda não veio — e às vezes, sequer virá. Outros tantos se agarram ao que passou. Revisitam memórias, revivem dores, remoem erros e saudades. O tempo escorre entre os dedos de todos eles, como areia fina que não se deixa segurar.
Mas e o hoje? Onde está quem vive o agora?
O presente é essa fresta de luz que se abre entre o que já foi e o que ainda não é. Um instante pequeno demais para quem corre, mas imenso para quem aprende a parar. Viver o hoje é um ato de coragem e sensatez. É sair da névoa dos “e se” e dos “ainda falta”, e olhar nos olhos do instante que pulsa bem diante de nós.
É verdade que pensar no futuro é importante. Ter planos, metas, esperança. Mas a vida não se faz somente de projetos — ela se constrói no intervalo entre um café quente e uma boa conversa. Entre o riso que escapa sem querer e o silêncio confortável de uma companhia que nos entende.
O agora pede presença. Pede que deixemos de ser turistas em nossas próprias vidas. Que larguemos o celular enquanto o sol se despede no horizonte. Que escutemos uma música sem pular a faixa. Que abracemos alguém sem pensar na hora de ir embora.
O presente não espera. Ele é delicado e passageiro. Mas, quando vivido com verdade, deixa marcas que nem o tempo é capaz de apagar.
Por isso, antes de correr para o que vem depois, respire. Toque o chão com os pés. Sinta o cheiro do vento. Perceba o valor do que tem em mãos.
Porque, no fim das contas, é só isso que temos: o agora. E ele, mesmo tão simples, é tudo.
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