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Quando te ocultas, o que queres escondê-lo? Essa pergunta, embora pareça simples, ressoa fundo em cada um de nós. Há momentos em que silenciamos palavras, evitamos encontros, apagamos rastros e nos recolhemos. Às vezes, é medo. Outras vezes, é defesa. Mas nem sempre o que se esconde quer ser esquecido.
Somos feitos de camadas. Algumas delas expomos com naturalidade: o sorriso para a foto, o bom dia no elevador, a opinião ensaiada. Mas há outras — mais densas, mais frágeis — que preferimos manter guardadas, como cartas não enviadas ou retratos antigos guardados no fundo da gaveta.
Talvez escondamos nossas dores porque o mundo nem sempre sabe escutá-las sem julgar. Talvez ocultemos nossos sonhos por medo de que riam deles antes mesmo de nascerem. Ou então, escondemos porque ainda não sabemos como revelar o que sentimos — como se aquilo que habita dentro de nós fosse idioma estrangeiro.
Mas lembra-te: existem muitas coisas que os olhos não podem ver. A ausência também é linguagem. O silêncio, por vezes, é grito. O olhar que se desvia pode carregar uma história inteira. E há mais verdade no que não se mostra do que supõe quem só vê com a visão rasa.
Ocultar-se não é desaparecer. É, por vezes, uma forma de cuidar-se. Como uma semente que se enterra antes de florescer. Como o céu que se fecha para preparar a chuva. E mesmo quando te escondes, ainda estás — inteiro, complexo, humano.
Que ninguém se engane com a tua ausência. Há presenças que só o coração entende. E há brilhos que, mesmo cobertos, continuam sendo estrelas.
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