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Tem gente que passa a vida inteira como quem atravessa uma sala escura: tropeçando nos próprios medos, desviando das oportunidades, esperando que alguém acenda a luz.
Vive-se, muitas vezes, como se houvesse tempo de sobra. Como se a vida fosse um rascunho que um dia, talvez, será passado a limpo. Mas não é. Cada segundo conta. Cada palavra não dita, cada abraço adiado, cada sonho engavetado é tempo que não volta mais.
A verdade é que morrer não é só deixar de respirar. Há quem morra aos poucos — quando silencia a própria voz, quando se acostuma com o vazio, quando deixa de sonhar. Há quem morra mesmo acordado, cumprindo rotinas como máquinas, apagando os brilhos que um dia teve no olhar.
Por isso, não morra sem viver.
Não morra sem dizer o que sente. Sem correr riscos. Sem amar do seu jeito, sem dançar aquela música, sem ver o pôr do sol como se fosse o último.
Não morra sem sentir o cheiro da chuva, sem rir de si mesmo, sem estender a mão a alguém.
Viver de verdade é se permitir errar, recomeçar, tropeçar e ainda assim continuar com o coração batendo forte.
Viver é se perder de vez em quando para se encontrar com mais verdade.
Então, por tudo aquilo que ainda pulsa aí dentro,
por tudo que você ainda pode ser e sentir — não morra antes da hora.
Não morra sem viver.
Porque viver não é apenas estar vivo.
É estar presente. Inteiro. Com alma.
E isso… ah, isso vale mais do que qualquer eternidade.
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